Artigo 01

Intravenous Immunoglobulin for Autoimmune Thrombocytopenic Purpura”

Human Immunology 66, 387 – 394 (2005)

Os autores fazem uma revisão sumária das opções terapêuticas na púrpura trimbocitopénica idiopática (PTI) autoimune, na criança e no adulto, nas formas agudas e nas formas crónicas.

O uso de Imunoglobulina endovenosa (IgEV) no tratamento da PTI foi demonstrado eficaz há 24 anos. São revistos os conhecimentos actuais sobre as doses, a frequência e os efeitos laterais desta opção terapêutica.

O mecanismo de acção da IgEV, além de outras hipóteses, mal conhecidas, consiste no bloqueio dos receptores Fc dos macrófagos, contribuindo para a inibição da destruição das plaquetas pelo baço.

A dose habitualmente recomendada de 2g/Kg pode, segundo os autores, ser reduzida para 1g/Kg nos adultos e 0,8g/Kg nas crianças, administrada numa dose única, no dia 1, em perfusão endovenosa. Os não respondedores podem repetir a mesma dose no dia 3. Para situações graves, como na hemorragia cerebral, recomendam duas aplicações de 1g/Kg, nos dias 1 e 2.

O uso de imunoglobulina anti-D, que se sabe aumentar a contagem de plaquetas em doentes com PTI, mas menos eficaz que a IgEV, tem sido sugerida em alguns estudos como uma alternativa, mas deve ser reservada para situações de prevenção da aloimunização durante a gravidez.

Repetidas administrações de IgEV podem evitar a esplenectomia, levar à suspensão da corticoterapia e melhorar a situação de doentes que não responderam à esplenectomia. Contudo, tem somente efeitos transitórios e, como tal, não pode ser considerada um tratamento curativo no adulto.

A associação de prednisona com imunoglobulina continua a ser a base do tratamento da maioria das formas graves de PTI.

Tem sido demonstrado a sua eficácia em doentes com PTI associada a lúpus, em doentes com SIDA e em alguns casos de imunodeficiência. Pode ser usada em grávidas com PTI, sobretudo em casos de resistência aos corticóides.

Não há relatos de transmissão de VIH ou de Creutzfeldt-Jacob e o risco de transmissão de vírus de hepatite C está muito limitado pelos métodos rigorosos de fabrico usados actualmente. São relatados os efeitos laterais mais frequentes.

Sugere-se a leitura deste artigo por se tratar de uma revisão sobre as várias opções terapêuticas na PTI.

Carlos Dias