Arte e Momumentos

A cidade do Porto dedica-se por tradição histórica à actividade económica e ao culto religioso à Virgem, graças ao XIV bispo do Porto, D. Ónego, antigo bispo de Vêndome (França), de onde trouxe uma imagem da Virgem, mais tarde conhecida como a Virgem de Vandoma.

O primeiro brasão da cidade do Porto, datado do séc. X, retrata, assim, um selo municipal com a Virgem sobre um pouco de muralha, onde se abre uma porta, rematada e defendida por duas torres. Este conjunto iconográfico iria perdurar em todas as representações de armas da cidade, mantendo-se no seu estado mais original até meados do séc. XVIII. Durante este século, o brasão, inicialmente atribuído à cidade e que se identifica com o que ilustra o Foral Manuelino de 1517, é modificado. A imagem de Nossa Senhora de Vandoma com o Menino Jesus prevalece, mas as torres passam a enquadrar uma composição com a legenda “Civita Virginis”, possuindo num braço uma espada e, no outro braço, uma bandeira.

O inestimável papel que a cidade do Porto desempenhou na guerra civil de 1832 – 34, apoiando a causa liberal, levou a que D. Pedro IV condecorasse a cidade atribuindo-lhe o agraciamento da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito e designa a cidade de “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade”. Não satisfeito, reforça o seu reconhecimento de lealdade e fidelidade colocando o dragão, símbolo oriundo da heráldica inglesa, a encimar o escudo da cidade e, ainda em vida, devota o seu coração, colocando-o no centro das armas.

Este novo brasão passou a ser constituído por um escudo esquartelado, rodeado pelo colar da Ordem Militar de Torre e Espada. A encimar o escudo foi colocado um dragão verde assente numa coroa ducal, pois ao segundo filho dos reis de Portugal atribui o título de Duque do Porto e, atada ao pescoço do dragão, pendia a faixa com a legenda atribuída pelo rei: “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade”.

Mas é só após a morte de D. Pedro IV que o brasão da cidade ganha os seus símbolos definitivos. Em testamento manda acrescentar, em ponto de honra, o seu coração, homenageando para sempre o povo desta cidade.

Já durante o séc. XX é pedido o parecer da Comissão de Heráldica da Associação de Arqueólogos Portugueses para a constituição do brasão actual da cidade. E, pela portaria nº 9513, de 25 de Abril de 1940, o então ministro do interior, Mário Pais de Sousa, aprovou a constituição das actuais armas da cidade portuense que hoje se conhecem e que então se publicaram em Diário da República.

A presença da família real era rara dentro da cidade, que se transformou, porém, na cidade das grandes famílias burguesas, com as suas casas dedicadas ao comércio, onde a única ostentação social se deparava nas pedras de armas colocadas à porta da rua (ex. Rua das Flores).

Avessa ao poder senhorial, a cidade do Porto manteve-se dedicada ao seu país com o orgulho de quem lhe atribuiu o nome de Portugal e ufanando-se dos seus feitos valorosos pela pátria e dos epítetos que conquistaram os seus habitantes. Devota à Virgem e às causas liberais, a população do Porto impulsionou sempre os movimentos que mais tarde levariam à implantação da República e às suas mudanças mais radicais. E, por isso, tenta preservar a sua riqueza monumental e artística e, não contente, mantém a sua sede progressista, dedicada ao comércio internacional, ambicionando o seu nascimento como novo centro cultural.